As pancadas os miúdos - das Pollys ao Slime

Isto de ter filhos tem o que se lhe diga. Julgam que é só o bem bom das fraldas com cocó e das papas cuspidas pela cozinha fora e das festinhas com trinta putos aos gritos e das noites mal dormidas e das faringites e dos vómitos de ranho e das discussões com o marido? Pois fiquem sabendo que há pior, a vidinha custa bem mais do que isto.

Refiro-me às obsessões que se contagiam entre as crianças mais depressa que os piolhos (outra das coisas boas da maternidade) e que os paizinhos primeiro ignoram, mas às quais, perante tamanha insistência, acabam por ceder (eu, pelo menos, vou cedendo a algumas).
Ao longo dos anos têm sido várias, aqui ficam algumas:


* Polly Pocket - uma coleção de algumas 738 mini bonequinhas de plástico, cada uma com 548 mudas de roupa em borracha que se rebentavam todas quando era eu a vesti-las e que as minhas filhas queriam ter todas. Eu bem explicava que as Pollys eram, tipo, milionárias e nós, tipo, nem por isso, mas elas, tipo, não se comoviam.


* os Littlest Pet Shop - Estes eram uns cãezinhos e gatinhos de plástico, com uns olhos enormes super fofos e completamente inúteis, já que nem roupinhas para mudar traziam. Os LPS vendiam-se em caixas de quantidades variáveis com preços entre o caro, o caríssimo e o estupidamente caro, até porque uma coisa que é só gira mas não serve para nada, custe quanto custar é sempre caro. 
* Os cromos do Mundial - outra loucura, mas a primeira que me fez andar num virote à procura do 17, do 45, do 78 e do raio que os parta porque o João já quase acabou a caderneta e tu não ligas nenhuma e ainda me faltam dezasseteeeeeeeeeeeeee


* os Beyblades - oh meu Deus, os Beyblades, a suprema pancada, o primeiro lugar do Top! O que começou por ser apenas mais um brinquedo em plástico parecido com um pião que se lançava numa arena também de plástico que estava sempre toda partida e por isso deu-nos cabo do chão da casa toda, de repente cresceu até à loucura de ter um filho a suplicar pela Fénix Vermelha de maneira tão pungente que certa manhã dei por mim na fila do Toys 'R Us, sim numa fila antes da abertura da loja, para ver se conseguia aquela merda. Como a Fenix não chegou, e eu tenho o problema de não conseguir faltar a uma promessa nem deixar a meio uma coisa que comece, investiguei como um detetive até arranjar na internet um rapaz que revendia Beyblades no mercado "paralelo", com quem me encontrei uma bela tarde numa rua em Lisboa para procedermos à transação. O puto ficou tão feliz que brincou com aquilo talvez durante uma semana inteira.


* As bolinhas de gel para decoração de vasos - Quem nunca andou horas enfiada em lojas do chinês à procura destas bolinhas que inchavam quando se metiam de molho que se acuse. E quem não teve de chamar o canalizador também. 

Entretanto houve aqui uma pausa na qual os meus filhos se interessaram mais pela cena virtual/ digital e me concederam umas merecidas férias. 

Mas recentemente surgiu mais esta bodega, que entretanto, sinais dos tempos, acho que já passou: 

* os Fidget Spinners - Outra estupidez completamente inútil, aparentemente desenvolvida para aliviar o stress de crianças hiperactivas, que custa 5€ no chinês mas chega aos 20€ na Fnac (eu só comprei do chinês, calma) e dura mais ou menos trinta segundos antes de cair ao chão e se desfazer em pedacinhos.

Recentemente, a minha filha mais nova aderiu a uma moda diferente, a última pancada. E é diferente porque não passa por comprar coisas, mas por fazer uma coisa: Slime.
Aos 12 anos, a miúda vive obcecada por Slime. E o que é Slime, perguntam vocês? Slime é uma gosma parecida com o que no nosso tempo era o Blandi Blub mas que se faz em casa (acho que também se vende feito mas não sei onde). É uma papa de consistência algures entre a plasticina e o ranho infetado, perfeita quando não se agarra aos dedos ao carregarmos com toques rápidos e secos, tem de fazer um barulhinho característico parecido com pequenos puns (sim, já sei tudo), e tem a utilidade de ficar dentro de uma caixa de plástico até secar e ir para o lixo. 
Portanto, neste momento a pequena vive no youtube a ver tutoriais em busca da receita perfeita, que passa por espalhar ingredientes como sabonete das mãos, detergente da roupa, borato de sódio, cola branca, amaciador de cabelo, soro fisiológico, creme Nívea e bicarbonato de sódio, em doses e ordens diferentes pela cozinha toda, enquanto vai mostrando por vídeo chamada às amigas como se faz o Slime perfeito. Porque tem que ser perfeito, percebes?
Eu cá percebo tudo, desde que deixes a cozinha limpa e arrumada. 
Percebes?

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