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quarta-feira, 31 de maio de 2017

A propósito do Dia dos Irmãos (que eu nem sei se sempre é hoje)

Como gosto de rimas, aqui ficam umas para os meus manos neste dia dos irmãos (seja ele qual for, porque há tantos que eu não sei qual é que vale)

Há muito tempo éramos 4
Numa casinha em Cascais
4 pernas da mesma mesa
4 elementos da natureza
4 pontos cardeais

Fomos os primeiros inimigos
Mas vivemos como um gangue
4 Beatles à estalada
4 Fantásticos à gargalhada
4 partes do mesmo sangue.

Foram muitas aventuras
e mais foram as confusões
Uma cruz de 4 pontas
Em matemática as 4 contas
Somos as 4 estações

O passado fez-nos quem somos
O Futuro está na nossa mão
Somos um baralho de 4 naipes
4 Ninjas cheios de vaipes
As 4 câmaras do coração

Entretanto passamos a 7,
Irmãos nunca são demais
7 dias, 7 cores
7 anões trabalhadores
7 notas musicais

Somos sempre espectaculares
Mesmo quando afiamos os dentes
Somos 7 maravilhas
7 é o número das manilhas
Até já são 7 os continentes

Somos mais fortes todos juntos
Uma família da modernidade
7 virtudes, 7 pecados
7 mares agitados
7 colinas numa cidade








sábado, 29 de abril de 2017

Jogo da Baleia Azul ou Jogo do Porco Beje?

As últimas  notícias dão conta de umas pessoas que, através de mensagens na Internet, convencem os adolescentes a fazerem as maiores idiotices durante 50 dias, até acabarem por se suicidar.  
O alegado criador do jogo chama-se Filipp Budeykin e é um jovem russo aparentemente meio doido e estúpido. 
Por aqui se vê que isto na Russia está mesmo mal- então o rapaz tem uma ideia tão vencedora e depois concretiza-a de forma tão pobrezinha, com cenas de auto mutilação e filmes de terror e suicídios? Que jeito tem isso? 
Realmente as pessoas não conseguem ver uma boa ideia nem quando são elas a tê-la, caramba! 
O conceito é um verdadeiro portento com um potencial extraordinário, fiquem sabendo. 
Pois se um russo qualquer, que eles não conhecem de parte nenhuma, desata a enviar desafios aos nossos adolescentes via redes sociais e eles vão a correr cumprir, então imaginem onde nós, os pais que eles adoram e respeitam, podemos chegar com isto.
Temos de fazer já a versão Portuguesa do jogo. 
Para começar, as nossas versões são sempre muito melhores. Temos os melhores descobrimentos, os melhores estádios, os melhores pasteis de nata ... com umas pequenas alterações será fácil termos também o melhor Jogo.
Para evitarmos acusações (falsas) de plágio, vamos começar por lhe mudar o nome para Jogo do Porco Beje. A Baleia Azul não tem graça nenhuma. Até é fofinha, mas é enorme, come imenso e arrasta-se por ali sem fazer nada de especial na vida. É, já vimos isto em qualquer lado, não já? O Porco também é porco, mas dá um exemplo melhor. Quer dizer, também anda por ali sem fazer nenhum, mas é muito fácil de treinar (capacidade que pelos vistos não é comum aos seres humanos de certas idades), é autónomo (suponho que não passe a vida a pedinchar dinheiro e boleias) e come pouco (isso é que era!). A cor também é importante porque há sempre aquelas embirrações do que não gosta de azul e do que prefere roxo, assim usa-se um tom neutro que fica sempre bem e toda a gente fica feliz.  
A estrutura base será semelhante: envio de desafios via redes sociais, só que em vez destes, os nossos serão úteis e construtivos e giros (hum... giros talvez não).

Critérios:
Para começar serão menos. 50 desafios é imenso. Os coitados dos miúdos, se até para fazerem as provas de aferição do 4º ano têm crises de ansiedade, então depois de 50 desafios nem é preciso mandá-los matarem-se, eles já foram sozinhos.
Portanto, faremos a coisa com uns 10 ou 15 desafios. Até é mais simples para nós nos lembrarmos, que a pessoa já não vai para nova e às vezes esquece-se das coisas.
Depois, os desafios não podem exigir resposta verbal. Os adolescentes demonstram grande dificuldade com a verbalização no geral, mas com os progenitores em concreto, limitando as interacções a grunhidos (reparo agora que até nesta matéria o porco faz sentido). 
Por fim, também não podem exigir que eles se movimentem sem arrastar os pés. Tal como o porco não consegue olhar para o céu, a anatomia do adolescente não lhe permite movimentar-se sem arrastar os pés.

Os Desafios:
1 - Toma um duche. Envia foto ao curador. Repete por 30 dias consecutivos.
2 - Arruma a toalha de banho. Repete todos os dias por 30 dias consecutivos.
3 - Faz a tua cama. Repete todas as manhãs por 30 dias consecutivos.
4 - Arruma o teu quarto. Repete todas as manhãs por 30 dias consecutivos.
5 - Tira o lixo que está dentro da tua mochila. Envia foto ao curador. Repete no mínimo 3 vezes ao longo de 30 dias
6 - Quando saíres do teu quarto leva as taças de cereais que estiverem sobre a tua secretária. Ouviste?Repete por 30 dias consecutivos.
7 - Mete o equipamento da ginástica para lavar. Repete todas as 3ªas e 5ªs.
8- Põe a mesa sem reclamar. Repete 15 vezes em 30 dias.
9 - Levanta a mesa. Sem reclamar (e deixa o chão varrido, os restos no frigorífico e a máquina ligada). Repete 15 vezes em 30 dias.
10 - Vai estudar. Repete em 22 dos 30 dias.
11- Limpa a pasta de dentes do lavatório. Repete por 30 dias consecutivos.
12 -Tira aquela porcaria que está e entupir o ralo da banheira. REPETE TODOS OS DIAS. TODOS.

Estão a ver como é simples? 
Claro que dá para adaptar, podemos incluir desafios que envolvem transportar os irmãos, aspirar a casa ou massajar-nos os pés. Isso agora é com cada um.

O Desafio final.
Cumpridos todos os desafios com sucesso, chegamos ao objectivo do jogo, o Desafio Final. Este será sempre o mesmo e consiste no envio de uma mensagem ao adolescente no último dia do mês com o texto:

DESAFIO FINAL - Vem receber a tua mesada. Repete uma vez em cada 30 dias.

E pronto, agora é só começar. 

Eles vão adorar não vão?



quarta-feira, 12 de abril de 2017

Recicla tu!

Ok, pronto. Quer dizer, a pessoa vê as notícias e pensa nas coisas e claro que se sente na obrigação de agir. Confesso, não sem algum pesar, que nesta família não possuímos nem fábricas nem plataformas petrolíferas nem jactos privados, de maneira que a pior coisinha que aqui fazemos é mesmo deitar o óleo de fritar pelo cano do lava loiças, mas ainda assim decidimos ir mais longe e agir como pessoas verdadeiramente evoluídas: começamos a reciclar o lixo.
Afinal dizem que é fácil, barato e bom para o Planeta, não pode ser assim tão complicado.

Tomada a decisão, o primeiro passo é adquirir uns caixotes daqueles às cores. Ora, assim de repente precisamos de um para cartão e papel, outro para vidro, outro para embalagens de plástico e metal, outro para pilhas, outro para pequenos domésticos e carregadores e essas coisas, outro para as tampinhas de plástico, outro para as lâmpadas, outro para os medicamentos fora de prazo e outro para o óleo de fritar. Isto se não andarmos a separar cápsulas de café ou o interior dos rolos de papel higiénico ou frascos de compota para um trabalho qualquer da escola dos miúdos, caso contrário teremos de acondicionar mais umas caixas e caixinhas sobre as pilhas periclitantes de manuais escolares que havemos de enviar para uma escola em Timor, que estarão encostadas aos caixotes com roupas das crianças que deixaram de servir e havemos de entregar na paróquia local.
Vai-se a procurar nos supermercados e somos logo confrontados com a triste realidade: os caixotes para reciclagem são fabricados por agentes imobiliários: ou são ridiculamente diminutos e inúteis, com capacidade para acomodar tipo dois pacotes de leite, ou são gigantescos ao ponto de termos de tirar dois armários mais a máquina da loiça só para encaixar o amarelo, o que nos obriga a mudar de casa rumo a um novo e luxuoso apartamento com assoalhadas suficientes para acomodar o lixo, além de uma boa garagem para acomodar a família.

Com os novos caixotes verdes, amarelos, azuis, cinzentos e castanhos bem arrumadinhos na nossa casa nova. há que aprender o básico. É que reciclar é mesmo para espertos, não se julgue que é só separar o lixo e agora vai lá à tua vida. Reciclar é uma actividade tão evoluída que temos de aprender a fazê-lo.
Separar o lixo é uma ciência que exige estudo, método e concentração por parte de todos os elementos do agregado. Por exemplo, um pequeno almoço de leite e cereais: dantes servíamos a taça, o leite e os cereais acabavam, nós abríamos o caixote do lixo e atiravamos para lá as embalagens vazias. Agora, os cereais acabam, nós devemos retirar o saquinho de plástico que vem lá dentro, sacudi-lo no caixote do lixo e coloca-lo sobre a bancada. De seguida, devemos espalmar a embalagem de cartão bem espalmadinha, por causa do espaço, e coloca-la junto do saquinho de plástico. O pacote de leite deve ser passado por agua, por causa do mau cheiro, e também espalmado com deferência e cuidado. Só então estaremos prontos para calçar os patins, atravessar a mansão rumo à ala da reciclagem, deitar o saquinho de plástico e o pacote de leite no caixote amarelo e a caixa de cartão no azul.
No caixote azul podemos também depositar jornais, papéis correntes e cartões vários, mas lenços de papel, papel higiénico, papéis plastificados ou autocolantes e qualquer papel que tenha servido para acondicionar comida, nem pensar.
Já os vidros devem ser colocados no seu ponto de recolha específico, mas as tampas de frascos e garrafas devem ser removidas e colocadas no ponto amarelo.
Uma nota: uma vez que a separação do lixo nos pontos de triagem é feita à mão, por pessoas, é simpático exaguarmos os vidros e restantes embalagens antes de as deitarmos no caixote, portanto, toca a poupar nos jantares fora que a conta da água vai disparar. No entanto atenção: copos, loiças de casa, cerâmicas, espelhos e outros vidros não são recicláveis, pelo que devem ser depositados no lixo corrente.
O caixote amarelo aceita latas, sprays, embalagens feitas de misturas de materiais (como os pacotes de leite), tabuleiros de esferovite ou alumínio, frascos de shampoo, detergentes, etc. Contudo, plásticos de brinquedos, cabides, embalagens que tenham servido a pesticidas ou produtos tóxicos, talheres de plástico ou outros objectos em plástico ou metal não.
Aprendeu?
Pois, cá em casa também não.

Uma vez que a aprendizagem é morosa (pode levar anos), tem de se nomear um elemento da família para desempenhar a ingrata e penosa tarefa de ser o polícia do caixote do lixo.
As funções deste elemento consistem em vigiar com olhos de falcão os vários recipientes, por forma a garantir que não há pacotes de leite no cartão, que as embalagens estão todas lavadas, que não há tampas no recipiente do vidro, que não há guardanapos no caixote do papel... enfim.
Mas há. Há sempre. Sem-pre.  E nunca foi ninguém. A consequência natural, uma vez que o cão não separa o lixo e julgo que o lixo não se baralha sozinho, é o nosso quotidiano familiar tranquilo ser substituído por um outro mais dado à gritaria, à delação e ao pugilato.

Separado o lixo, tem de ser despejado nos pontos de recolha.

Reciclar é civilizado, mas nuns países cheira-me que é mais civilizado que noutros. A partir do momento em que decidimos reciclar o nosso lixo, aprendemos que em Portugal não há recolha de reciclaveis porta a porta (pelo menos no meu Portugal não há). De maneira que o lixo passa a ser como mais uma meia dúzia de passageiros que temos de transportar no nosso automóvel para deixar no ecoponto a caminho da escola ou, se nos esquecermos, no caminho para o trabalho ou, se nos esquecermos, no caminho de regresso a casa ou, se nos esquecermos, no dia seguinte. O dito automóvel passa a andar sempre tão nauseabundo e cheio de lixo que mais vale juntarmos à casa nova um carrão a condizer, com imensos lugares e bagageiras e tecto de abrir, ou, a bem da saúde dos pequenos, teremos de começar a levar as crianças para a escola dentro daquelas malas cinzentas amarradas ao tejadilho do carro.

Já estamos dentro da viatura, mais as  crianças e o lixo e tudo, toca a ir em busca de um ecoponto. Os ecopontos não são assim tantos e estão quase sempre estrategicamente colocados em cima de qualquer coisa proibida: uma passadeira, uma paragem de autocarros ou uma curva, portanto, parar para descarregar é uma actividade arriscada e muitas vezes ilegal, tipo train surfing para totós (já agora convém juntar às despesas um seguro como deve ser).
Entre voltas e voltinhas, e após atestarmos o depósito duas vezes, quando por fim conseguimos parar o carro sem sermos abalroados ou multados, convém rezar para que o ecoponto:
a) não esteja a rebentar pelas costuras;
b) seja um daqueles com tampa porque os sacos nunca cabem naquelas ranhuras minúsculas e nós  ficamos com as mãos e os braços a escorrer nhanha e enlouquecemos de fúria e deixamos o lixo todo no chão e vamos embora sem peso na consciência.

No final do complexo procedimento, estamos ainda a preparar-nos para a inversão de marcha, quando chega o camião de recolha do lixo e, um por um, despeja os ecopontos todos lá para dentro.
Realmente reciclar é mesmo fácil, barato e, acima de tudo, civilizado.