A problemática do Bikini

Gosto de praias. As praias são bonitas, proporcionam bons mergulhos e são o único sitio onde os nossos filhos podem fazer chichi no chão sem levarem três gritos.
Contudo, também padecem de um problema que estraga um bocado a experiência - costumam ter outras pessoas. Não tenho nada contra outras pessoas, até gosto de algumas, mas é mais quando estou vestida. Ultimamente, chegada esta época do ano, a simples ideia de desnudar as carnes em público aterroriza-me tanto que talvez até ultrapasse o pânico de apanhar chuva depois de esticar o cabelo.

A problemática advém do facto de eu ser uma pessoa que se aplica nas actividades de inverno que mais exigem treino e dedicação - comer bem e estar quieta. Ora, sendo eu uma entusiástica praticante de ambas, é natural que procure aperfeiçoar a minha técnica enquanto as condições atmosféricas o permitem, só que depois não posso fazer como o Ferrero Rocher e desaparecer quando fica bom tempo. De maneira que, quando o calor aperta, o meu sistema nervoso fica... nervoso.

No fim de semana passado estava bom tempo. Bom tempo na Primavera significa perspectiva de ir à praia e essa perspectiva exige, como é óbvio, uma prévia e minuciosa auditoria à corpulência adquirida no ano transacto.
Vai daí, imbuída de uma coragem apenas comparável à de quem salta da prancha de 10 metros para dentro de uma piscina vazia forrada com pregos de aço em brasa, esta vossa amiga decidiu experimentar um fato de banho.

Trata-se de uma decisão penosa, garanto, que apenas consegui levar a cabo graças à preciosa colaboração de um copázio de branco fresquinho que tinha sobrado do jantar da véspera.
Entrei no quarto e ajoelhei junto da cama para retirar a caixa onde arrumo os fatos de banho. Já que estava de joelhos e ainda segurava o copo de vinho, pareceu-me uma boa oportunidade para pedir a algum santinho que me fizesse magra e bronzeada. Como sei que isto não é só pedir, também mostrei arrependimento sincero por todas as vezes em que fui uma alarve, jurei sem figas que nunca mais tocava num chocolate e prometi solenemente a partir daquele dia passaria a ir ao ginásio sem ser para ir buscar a minha filha.

Muito mais motivada, dei então início à peritagem. 
É sabido que os fatos de banho são como as calças nas lojas - na mão parecem sempre maiores - mas eu espremi-me para dentro daquele pedaço de licra com a determinação de alguém cuja vida depende de enfiar uma alforreca numa palhinha.
Quando por fim consegui, olhei para o espelho e o panorama era tão assustador que achei que me tinha enganado e estava a ver o "Disgusting Creatures" no Discovery Channel. Mas não. A triste realidade é que aquele cruzamento entre uma foca albina e a Barbie Patinadora era eu (já que estamos em época de milagres, um agora vinha bem a calhar).

Ponderei as alternativas: ou desfazia o cabrão do espelho ao pontapé, mas nunca se sabe se o azar não vem em forma de quilos e eu definitivamente não precisava de mais sete, ou borrifava no assunto - assimcomássim também não é o fim do mundo - e ia fazer umas torradinhas.

Tragédia, tragédia foi descobrir que não havia manteiga.

Comentários

  1. Eu também tenho de usar fato de banho, mas por outro motivo: a pele da minha barriga ficou flácida após as gravidezes... Mas ri imenso ao ler o que escreveu!

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  2. Belíssimo e divertido texto! Que bom ter dado com este blogue, a partir da partilha de uma amiga sobre o Dia da Mãe! Obrigada :)

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  3. Eu também acho que...tenho de ir ali comer um pastel de nata... ;)
    Sinceramente, caguei no "corpo de praia". Se eu gostar do que ver reflectido no espelho - mesmo sendo uma foca albina + Barbie Patinadora -, que se lixe a opinião alheia.

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  4. Claro que tenho cuidado com a alimentação, mas quando apetece, lá acontece uma facada na dieta ... hoje é o dia ... um duchaisse extra chantilly.
    A culpa virá depois ... mas morrerá solteira ;)
    Silvia Raposo

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